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Investimento em startups: como o dinheiro entra em empresas investidas

Por 15 de novembro de 2016 setembro 10th, 2018 No Comments

Quando lemos uma notícia sobre investimento em startups, geralmente, não temos acesso aos detalhes da negociação. Não se divulga o valuation da empresa e participações societárias. Muitas vezes, nem o valor do investimento é divulgado. Uma das razões é o cuidado para não dar muita informação a potenciais concorrentes, mas já vi até mesmo preocupação com a segurança pessoal dos envolvidos.

Uma outra razão é a complexidade do acordo, que pode ser construído com dezenas de variáveis diferentes. Na dúvida do quê e como divulgar, não se divulga nada. Por isso, sempre recomendamos o suporte de um advogado no processo de negociação de acordos de investimento, independentemente do tamanho da empresa.

Mas como funciona o investimento em startups?

Mas antes de ir atrás dessas perguntas, precisamos entender como funcionam essas operações. E uma variável muito importante nesse tipo de negociação é como o dinheiro entra na empresa.

Compra de novas ações

A opção mais comum é o lançamento de novas ações, ou seja, a empresa emite novas ações para o investidor que está entrando na empresa e o dinheiro vai direto para a operação. Um termo em inglês comumente utilizado para esses casos é cash-in. Tecnicamente essa operação também pode ser chamada de “oferta primária de ações”.

CASH-IN = DINHEIRO SOMENTE PARA A OPERAÇÃO DA EMPRESA

Compra de ações já existentes

Outra opção, bem menos comum, é a compra de ações já existentes. Algum sócio que queira se desfazer de suas ações em uma determinada rodada pode transferir suas ações para o novo sócio que está entrando. O termo nesse caso é cash-out, ou “oferta secundária de ações”.

CASH-OUT = DINHEIRO PARA SÓCIOS EM TROCA DE AÇÕES

Atenção! É muito raro que investidores de venture capital comprem ações de sócios fundadores, fazendo um cash-out. As situações nas quais o empreendedor propõe uma oferta secundária de ações, associado com uma oferta primária, passam uma imagem ruim para quem está entrando na empresa. Minha recomendação é nunca fazer esse tipo de proposta.

Mas por quê?

As principais razões estão relacionadas ao comprometimento do empreendedor com o negócio e a confiança que ele tem na oportunidade. Se o empreendedor acredita no que está propondo por que venderia suas ações? Além disso, o investidor quer otimizar os resultados gerados pelos recursos que está aportando. Contratar pessoas e investir em marketing, por exemplo, gera muito mais resultado do que encher o bolso de alguém.

As outras formas mais comuns de entrada de investidores são:

Dívida conversível

O dinheiro entra na empresa e é apropriado pela contabilidade como uma dívida (passivo), que pode ser convertida em ações, mediante algumas condições em algum evento futuro, seja uma nova rodada de investimento ou a própria venda da empresa. O instrumento mais comum é a debênture conversível, um tipo de título de crédito usado por empresas no mercado de capitais.

Contratos de opção de compra de ações

Nesse caso o investidor paga por uma opção de comprar ações da empresa no futuro, ou seja, ele não entra no quadro societário da companhia, mas tem o direito de, mediante a sua própria vontade ou um evento específico, comprar as ações da empresa por um preço pré-determinado. Dessa forma o recurso entra na empresa e o investidor pode decidir, se as coisas correrem bem, se vira sócio mesmo ou não.

Para cada situação e tipo de investidor existirá um mecanismo mais adequado. Nunca deixe de consultar outros empreendedores que já passaram por situações semelhantes.

 

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