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Os 7 estágios de maturidade da gestão financeira empresarial

Por 20 de dezembro de 2018 março 29th, 2019 No Comments

Uma das coisas mais notáveis na nossa jornada da educação em gestão financeira empresarial é a diversidade de maturidade que encontramos em nossos clientes. Acredito que isso se deve a dois fatores.

O primeiro é a existência de uma infinidade de escolhas possíveis para o tomador de decisão. Muito em função da alta complexidade do assunto, que envolve não só a parte financeira e todas as suas nuances, mas também a área contábil, fiscal, tributária, legal, trabalhista, comercial, regulatória e societária.

O segundo é a falta de opções de capacitação técnica e prática na área. Graduações são muito superficiais, pós-graduações e cursos especialistas são muito avançados, específicos e caros.

Por isso criamos a Escola do Financeiro. Queremos superar esses desafios e preencher essa lacuna no mercado.

Um dos nossos passos nessa direção foi o artigo sobre as responsabilidade da área e a descrição das suas principais funções de lideranças, o CFO, o Diretor Financeiro e o Controller.

Agora, nesse artigo, identificamos os diferentes estágios de maturidade da gestão financeira empresarial. Nosso objetivo é ajudar o empreendedor ou gestor da área a se posicionar, se autoavaliar e tomar as ações mais adequadas para evoluir.

Dividimos essa evolução em 7 estágios diferentes, mas entendemos que as empresas podem possuir características de estágios diferentes.

Para cada estágio, além de descreve-los, incluímos algumas dicas para ajudar o empresário a avançar de fase.

Vamos lá!

1º Estágio: Negação

Nessa fase, bem inicial, o empresário ignora completamente as finanças da empresa. Na maioria das vezes mistura as contas da sua pessoa física com as da jurídica, não sabe se a operação é lucrativa e geralmente assume riscos fiscais e tributários sem nem saber o dano que pode estar causando na empresa.

Já vi empresários nesse estágio sem a mínima noção da função do contador na vida da empresa. Na maioria das vezes contratam o serviço de contabilidade mais barato, ou nem contratavam. Outras vezes se negando a passar as informações de extrato bancário e despesas realizadas, justamente porque misturavam as contas pessoais e as empresariais.

Dica: Pesquise, avalie e escolha um bom contador. Esse profissional é essencial para a vida de qualquer empresa. Ele vai te ajudar a separar as contas, escolher ferramentas de gestão, adotar boas práticas e eliminar os riscos fiscais e tributários.

2º Estágio: Gestão de transações

Com as contas separadas e os riscos básicos sendo mitigados, o próximo passo da evolução da gestão financeira empresarial é garantir o pagamento das contas. Nesse estágio, o empresário cria processos rudimentares para as funções de contas a pagar e contas a receber. Muitas vezes delegando essas funções para um analista, estagiário ou terceirizado.

Aqui os compromissos assumidos são honrados. Pelo menos até a empresa ter dinheiro em caixa. Um dos principais erros dessa fase é não saber quanto custa para produzir e entregar o produto ou serviço. A precificação também é precária. E essa é a combinação fatal para criar uma operação deficitária que pode implodir a qualquer momento.

Dica: Comece a monitorar o fluxo de caixa da empresa mês-a-mês. Use um sistema de gestão financeira básico e lance todas as contas da empresa nele. Analise o resultado periodicamente para entender qual é o ponto de equilíbrio da operação e reflita se o volume e o preço de vendas, junto com o custo do produto ou serviço fazem sentido.

3º Estágio: Controle gerencial

Depois de quebrar a cabeça com um ou mais sistemas financeiros, o empresário começa a estruturar um plano de contas que reflita a realidade da empresa. Muitas vezes cria rotinas de geração e análise de relatórios gerenciais. Mas ainda mistura despesas com investimento, improvisa na arquitetura tributária, abrindo várias empresas no Simples, e não tem os processos comerciais, fiscais e contábeis integrados e alinhados com o modelo de negócio.

Até esse estágio é normal que o contador da empresa sirva apenas para apuração de tributos e folha de pagamento. Muitos até cobram um extra para geração dos demonstrativos contábeis. Infelizmente, essa parceria tão importante, com tanto potencial, fica restrita a isso.

Dica: Integre toda sua operação com a contabilidade. Faça um trabalho de padronização dos planos de conta entre o sistema financeiro, as planilhas gerenciais e o contador. Estude contabilidade, aprenda a diferença entre regime de caixa e de competência e a interpretar a DRE e o Balanço Patrimonial da sua empresa. Um dos desafios mais importantes dessa fase é a gestão do capital de giro. Entender o ciclo financeiro da operação é crucial para qualquer empresa que queira crescer.

*Nós oferecemos um curso online de Contabilidade Básica para Não Contadores. Pode te ajudar muito entender alguns conceitos complicados de forma simples.

4º Estágio: Controle efetivo

Nesse momento a empresa já tem uma estrutura de controladoria. A relação com a contabilidade é afinada e os demonstrativos contábeis refletem a realidade do negócio. Além disso, existe a separação da gestão econômica da financeira. Ou seja, o empresário e o controller entendem a diferença entre o regime de competência e o regime de caixa, gerenciando a empresa desses dois pontos de vistas. Geralmente os custos são apropriados e calculados de maneira coerente e a empresa consegue, finalmente, ter uma visão de lucratividade.

Apesar de termos o passado e o presente sob controle, a falha aqui está na ausência do olhar para o futuro. Nesse estágio o exercício de planejamento financeiro é centralizado e feito de forma rudimentar, apenas olhando o que aconteceu nos anos anteriores e esperando que as coisas melhorem, sem nenhuma mudança de metodologia ou abordagem.

Dica: Crie um ritual de planejamento financeiro na sua empresa. Com envolvimento das lideranças na fase de modelagem e projeção, e monitoramento constante dos resultados. O erro em si não ensina, mas a análise do erro sim. Outro ponto importante é transferir a visão da empresa para os números e transformar o orçamento num mapa do tesouro, numa catapulta para o crescimento da empresa.

*Para ajudar nessa missão, nós desenvolvemos o curso de Planejamento Financeiro Empresarial. Nossa metodologia utiliza princípios simples que facilitam a construção, a revisão e a apresentação da peça orçamentária. Ao final o empresário não terá apenas um orçamento, mas um plano de execução do negócio.

5º Estágio: Planejamento e análise financeira

O ciclo principal da função financeira aqui está completo: Planejamento (Planning), Prognóstico (Forecasting), Relatórios (Reporting) e Análise (Analysis). A organização está blindada contra imprevistos, conseguindo amortecer seus impactos, e estruturada para crescer. Nesse momento é possível olhar para o mercado e começar a traçar paralelos com outras organizações e contextos. Usar dados de pesquisas setoriais, benchmarks e relatórios sobre tendências para ajudar a tomada de decisões, capturar oportunidades de mercado e se proteger contra ameaças externas.

É possível que nessa etapa a área esteja muito carregada de pessoas e que a maior parte esteja realizando trabalhos manuais e operacionais para conseguir alimentar a área de inteligência. Muitas vezes a empresa não tem nem noção do quanto trabalho braçal e retrabalho está sendo realizado. É normal que os procedimentos de controle estejam sendo taxados de burocracias inúteis e que o desperdício com a correção de erros demande muito da organização.

Dica: Essa é a hora de usar a tecnologia a favor da empresa. Mapeie os fluxos de informação de toda a operação, reduzindo gargalos, eliminando desperdícios e implementando soluções modernas que suportem a geração e transferência dos dados com rapidez e qualidade. Para cumprir essa missão envolva e integre todas as áreas. Se a área comercial tinha alguma richa com a área de produção, é hora de resolver.

*Em breve, com o apoio do SEBRAE, lançaremos um mapeamento de soluções de tecnologia para a gestão. Estamos construindo a primeira Landscape de ManagementTechs do Brasil. Se inscreva na nossa newsletter e receba o material em primeira mão.

6º Estágio: Operações integradas

Com as áreas integradas e a informação fluindo quase em tempo real, a tomada de decisão é rápida e muito mais assertiva. A empresa fica mais leve e consegue crescer num ritmo maior. O financeiro assume uma posição de mais protagonismo e começa a ficar responsável por outras áreas da empresa como excelência operacional e até tecnologia da informação (do ponto de vista interno).

O que falta aqui é uma sofisticação da gestão financeira. A empresa ainda não sabe se relacionar com entidades do sistema financeiro, investidores e stakeholders. Os desafios são: i) Gestão de caixa e liquidez com foco na eficiência. ii) Captação de recursos e relacionamento com foco na diversidade e na qualidade das fontes de capital. iii) Gestão de risco financeiro, pensando na minimização da influência de fatores externos. iv) Governança corporativa e relacionamento com stakeholders.

Dica: Contrate profissionais experientes. As demandas da área nessa fase são muito específicas e avançadas. Você vai precisar de especialistas para não fazer besteira e aproveitar ao máximo toda a gama de produtos financeiros existentes no mercado.

7º Estágio: Financeiro estratégico

Nesse estágio, o famoso CFO (Chief Financial Officer) se torna uma das figuras mais importantes da empresa. Muitas vezes sendo o sucessor natural do CEO. Aqui existe um caminho claro e bem construído para captações financeiras agressivas, aquisições de outras empresas, internacionalização e até, dependendo do tamanho da organização, abertura de capital.

Dica: Não fique parado. Faça benchmarks constantes e se atualize. Busque informações sobre novas soluções e tendências. E, por que não, ajude outros empresários a evoluir, contribua para a capacitação e valorização do profissional da área financeira.

 

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