Gestão

Os 7 estágios de maturidade da gestão financeira empresarial

Por 20 de dezembro de 2018 No Comments

Uma das coisas mais notáveis na nossa jornada da educação em gestão financeira empresarial é a diversidade de maturidade que encontramos em nossos clientes. Acredito que isso se deve a dois fatores.

O primeiro é a existência de uma infinidade de escolhas possíveis para o tomador de decisão. Muito em função da alta complexidade do assunto, que envolve não só a parte financeira e todas as suas nuances, mas também a área contábil, fiscal, tributária, legal, trabalhista, comercial, regulatória e societária.

O segundo é a falta de opções de capacitação técnica e prática na área. Graduações são muito superficiais, pós-graduações e cursos especialistas são muito avançados, específicos e caros.

Por isso criamos a Escola do Financeiro. Queremos superar esses desafios e preencher essa lacuna no mercado.

Um dos nossos passos nessa direção foi o artigo sobre as responsabilidade da área e a descrição das suas principais funções de lideranças, o CFO, o Diretor Financeiro e o Controller.

Agora, nesse artigo, identificamos os diferentes estágios de maturidade da gestão financeira empresarial. Nosso objetivo é ajudar o empreendedor ou gestor da área a se posicionar, se autoavaliar e tomar as ações mais adequadas para evoluir.

Dividimos essa evolução em 7 estágios diferentes, mas entendemos que as empresas podem possuir características de estágios diferentes.

Para cada estágio, além de descreve-los, incluímos algumas dicas para ajudar o empresário a avançar de fase.

Vamos lá!

1º Estágio: Negação

Nessa fase, bem inicial, o empresário ignora completamente as finanças da empresa. Na maioria das vezes mistura as contas da sua pessoa física com as da jurídica, não sabe se a operação é lucrativa e geralmente assume riscos fiscais e tributários sem nem saber o dano que pode estar causando na empresa.

Já vi empresários nesse estágio sem a mínima noção da função do contador na vida da empresa. Na maioria das vezes contratam o serviço de contabilidade mais barato, ou nem contratavam. Outras vezes se negando a passar as informações de extrato bancário e despesas realizadas, justamente porque misturavam as contas pessoais e as empresariais.

Dica: Pesquise, avalie e escolha um bom contador. Esse profissional é essencial para a vida de qualquer empresa. Ele vai te ajudar a separar as contas, escolher ferramentas de gestão, adotar boas práticas e eliminar os riscos fiscais e tributários.

2º Estágio: Gestão de transações

Com as contas separadas e os riscos básicos sendo mitigados, o próximo passo da evolução da gestão financeira empresarial é garantir o pagamento das contas. Nesse estágio, o empresário cria processos rudimentares para as funções de contas a pagar e contas a receber. Muitas vezes delegando essas funções para um analista, estagiário ou terceirizado.

Aqui os compromissos assumidos são honrados. Pelo menos até a empresa ter dinheiro em caixa. Um dos principais erros dessa fase é não saber quanto custa para produzir e entregar o produto ou serviço. A precificação também é precária. E essa é a combinação fatal para criar uma operação deficitária que pode implodir a qualquer momento.

Dica: Comece a monitorar o fluxo de caixa da empresa mês-a-mês. Use um sistema de gestão financeira básico e lance todas as contas da empresa nele. Analise o resultado periodicamente para entender qual é o ponto de equilíbrio da operação e reflita se o volume e o preço de vendas, junto com o custo do produto ou serviço fazem sentido.

3º Estágio: Controle gerencial

Depois de quebrar a cabeça com um ou mais sistemas financeiros, o empresário começa a estruturar um plano de contas que reflita a realidade da empresa. Muitas vezes cria rotinas de geração e análise de relatórios gerenciais. Mas ainda mistura despesas com investimento, improvisa na arquitetura tributária, abrindo várias empresas no Simples, e não tem os processos comerciais, fiscais e contábeis integrados e alinhados com o modelo de negócio.

Até esse estágio é normal que o contador da empresa sirva apenas para apuração de tributos e folha de pagamento. Muitos até cobram um extra para geração dos demonstrativos contábeis. Infelizmente, essa parceria tão importante, com tanto potencial, fica restrita a isso.

Dica: Integre toda sua operação com a contabilidade. Faça um trabalho de padronização dos planos de conta entre o sistema financeiro, as planilhas gerenciais e o contador. Estude contabilidade, aprenda a diferença entre regime de caixa e de competência e a interpretar a DRE e o Balanço Patrimonial da sua empresa. Um dos desafios mais importantes dessa fase é a gestão do capital de giro. Entender o ciclo financeiro da operação é crucial para qualquer empresa que queira crescer.

*Nós oferecemos um curso online de Contabilidade Básica para Não Contadores. Pode te ajudar muito entender alguns conceitos complicados de forma simples.

4º Estágio: Controle efetivo

Nesse momento a empresa já tem uma estrutura de controladoria. A relação com a contabilidade é afinada e os demonstrativos contábeis refletem a realidade do negócio. Além disso, existe a separação da gestão econômica da financeira. Ou seja, o empresário e o controller entendem a diferença entre o regime de competência e o regime de caixa, gerenciando a empresa desses dois pontos de vistas. Geralmente os custos são apropriados e calculados de maneira coerente e a empresa consegue, finalmente, ter uma visão de lucratividade.

Apesar de termos o passado e o presente sob controle, a falha aqui está na ausência do olhar para o futuro. Nesse estágio o exercício de planejamento financeiro é centralizado e feito de forma rudimentar, apenas olhando o que aconteceu nos anos anteriores e esperando que as coisas melhorem, sem nenhuma mudança de metodologia ou abordagem.

Dica: Crie um ritual de planejamento financeiro na sua empresa. Com envolvimento das lideranças na fase de modelagem e projeção, e monitoramento constante dos resultados. O erro em si não ensina, mas a análise do erro sim. Outro ponto importante é transferir a visão da empresa para os números e transformar o orçamento num mapa do tesouro, numa catapulta para o crescimento da empresa.

*Para ajudar nessa missão, nós desenvolvemos o curso de Modelagem e Projeções Financeiras. Nossa metodologia utiliza princípios simples que facilitam a construção, a revisão e a apresentação da peça orçamentária. Ao final o empresário não terá apenas um orçamento, mas um plano de execução do negócio.

5º Estágio: Planejamento e análise financeira

O ciclo principal da função financeira aqui está completo: Planejamento (Planning), Prognóstico (Forecasting), Relatórios (Reporting) e Análise (Analysis). A organização está blindada contra imprevistos, conseguindo amortecer seus impactos, e estruturada para crescer. Nesse momento é possível olhar para o mercado e começar a traçar paralelos com outras organizações e contextos. Usar dados de pesquisas setoriais, benchmarks e relatórios sobre tendências para ajudar a tomada de decisões, capturar oportunidades de mercado e se proteger contra ameaças externas.

É possível que nessa etapa a área esteja muito carregada de pessoas e que a maior parte esteja realizando trabalhos manuais e operacionais para conseguir alimentar a área de inteligência. Muitas vezes a empresa não tem nem noção do quanto trabalho braçal e retrabalho está sendo realizado. É normal que os procedimentos de controle estejam sendo taxados de burocracias inúteis e que o desperdício com a correção de erros demande muito da organização.

Dica: Essa é a hora de usar a tecnologia a favor da empresa. Mapeie os fluxos de informação de toda a operação, reduzindo gargalos, eliminando desperdícios e implementando soluções modernas que suportem a geração e transferência dos dados com rapidez e qualidade. Para cumprir essa missão envolva e integre todas as áreas. Se a área comercial tinha alguma richa com a área de produção, é hora de resolver.

*Em breve, com o apoio do SEBRAE, lançaremos um mapeamento de soluções de tecnologia para a gestão. Estamos construindo a primeira Landscape de ManagementTechs do Brasil. Se inscreva na nossa newsletter e receba o material em primeira mão.

6º Estágio: Operações integradas

Com as áreas integradas e a informação fluindo quase em tempo real, a tomada de decisão é rápida e muito mais assertiva. A empresa fica mais leve e consegue crescer num ritmo maior. O financeiro assume uma posição de mais protagonismo e começa a ficar responsável por outras áreas da empresa como excelência operacional e até tecnologia da informação (do ponto de vista interno).

O que falta aqui é uma sofisticação da gestão financeira. A empresa ainda não sabe se relacionar com entidades do sistema financeiro, investidores e stakeholders. Os desafios são: i) Gestão de caixa e liquidez com foco na eficiência. ii) Captação de recursos e relacionamento com foco na diversidade e na qualidade das fontes de capital. iii) Gestão de risco financeiro, pensando na minimização da influência de fatores externos. iv) Governança corporativa e relacionamento com stakeholders.

Dica: Contrate profissionais experientes. As demandas da área nessa fase são muito específicas e avançadas. Você vai precisar de especialistas para não fazer besteira e aproveitar ao máximo toda a gama de produtos financeiros existentes no mercado.

7º Estágio: Financeiro estratégico

Nesse estágio, o famoso CFO (Chief Financial Officer) se torna uma das figuras mais importantes da empresa. Muitas vezes sendo o sucessor natural do CEO. Aqui existe um caminho claro e bem construído para captações financeiras agressivas, aquisições de outras empresas, internacionalização e até, dependendo do tamanho da organização, abertura de capital.

Dica: Não fique parado. Faça benchmarks constantes e se atualize. Busque informações sobre novas soluções e tendências. E, por que não, ajude outros empresários a evoluir, contribua para a capacitação e valorização do profissional da área financeira.

 

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